Desejo incontido na noite
em que teus lábios e dentes avermelham-me
tua face cora, tuas unhas pregam
o que trouxeste do pavor de si
na escuridão da minha ausência
Asim, como atado à deriva
das tuas superfícies,
entrego-me ao que buscas
entre os suspiros, os olhos sem rumo,
as palavras incompreensíveis que tocam
alucinantemente cada palmo do ar deste lugar
em ondas, ondas, ondas!
pelos, cabelos, nuca, mãos e pernas
alheios a todas as direções
a todo o medo das ruas lá fora
a tudo o que deve ser ou não
É tempo ainda
e transmutas dor e prazer
nas faces, mil faces esfíngicas,
em formas, mil formas inapreensíveis,
e confuso percorro tua nuca em busca
em busca da fugidia loucura, insânia, necessidade,
entre a trêmula luz e meus olhos fechados,
quem sabe, morder-te...
quem sabe, voar!
Vieste-me contar dos teus,
vieste-me prender nos teus,
vieste-me buscar pros teus,
vieste-me deter nos teus,
vieste-me voar por teus,
vieste-me à superfície para que eu fosse aprofundar-me
e a ti
agora
como que em transe profundo
numa recolha marítima
enquanto te afastas e me deixas ver
sem saber, nem ter, nem ser
sob ainda teus úmidos cachos dourados
que repousa ao redor de tua nuca
uma borboleta.
As personagens e situações aqui presentes pertencem à ficção. Não se referem, portanto, a pessoas ou fatos reais e não emitem sobre eles quaisquer opiniões.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
domingo, 23 de junho de 2013
Prenúncio
Desaparecerão:
as algas do mar;
os peixes do mar;
os navios do mar;
os homens do mar.
Permanecerão:
o tempo e o mar.
as algas do mar;
os peixes do mar;
os navios do mar;
os homens do mar.
Permanecerão:
o tempo e o mar.
sábado, 8 de junho de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Safo I
Sobre seu corpo negro
Deito
Incandecente
Os dedos e os desejos de homem
Por percorrer suas curvas
Em sons e tato crus
Ela repousa em mim
Extática porque em transe
O momento crucial do toque efetivo
Do vibrar de seu corpo
Seus ecos
Seus vãos
Seus macios
Seus rígidos
Corpos fundidos em si
Mulher, negra como o que vejo de luz e calor e suor no fechar de olhos final
E aos meus ouvidos
A transfiguração do toque e do som
Que nela
Que dela
Que bela!
Exprimo
O gozo profundo
Do desejo que não cessa
E é música em seus cabelos
sábado, 18 de maio de 2013
Menina de nome russo II
O que há de amor
Há nela
Que sobreviveu a mim
Que sobreviveu a ela
Que me tece longos lençóis
Enquanto não chego
O que há de mim
Há nela
Que me sabe quem sou
E sorri quando em frangalhos
Volto a ela
terça-feira, 30 de abril de 2013
Das coisas que apartam tempo e espaço I
O abraço
A casa
As mãos
O plástico bolha
O sexo
Elevador quebrado
Os olhos
O blefe durante o carteado
O beijo
O rum
O segredo inconfesso
A caipirinha
O amigo
O amor
A dor
A saudade
A casa
As mãos
O plástico bolha
O sexo
Elevador quebrado
Os olhos
O blefe durante o carteado
O beijo
O rum
O segredo inconfesso
A caipirinha
O amigo
O amor
A dor
A saudade
domingo, 28 de abril de 2013
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