As personagens e situações aqui presentes pertencem à ficção. Não se referem, portanto, a pessoas ou fatos reais e não emitem sobre eles quaisquer opiniões.
sábado, 20 de abril de 2013
De mim
Ela que me ensinou sobre o amor e o mar
Ela que partiu sem me dizer adeus e me pediu: vem me buscar!
Ela que me ensinou sobre o rum e o navegar
Ela que me ensinou sobre o gramado da Pedra do Leme e a intensidade de suas mãos sobre as minhas mãos sobre a nossa pele sobre o mar que espumava violentamente contra a encosta as costas a chuva fina e grossa o caos da festa das gentes animadas
Ela que me partiu
Ela que me sorriu
Ela que me viu
Ela que me soltou
Ela que me levou
De mim
terça-feira, 16 de abril de 2013
O sonho do dia
Pensava em como sonhar um dia profundo
Da substância ou cor que fosse...
Sonhar um dia
Era isso
E era de um heroísmo a que se propusera desde tempos imemoriais
Ele, homem
"Não há que se fazer mais que fechar os olhos",
pensara...
Estava errado.
Quando conheceu a morte pela primeira vez
Não pode furtar de si o óbvio:
sonhar era mais fácil que viver.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Razão de nós
Nao ha razao pra ter
O que temos tido
Viver o que temos vivido
Ser o que temos sido
Em algum lugar se perdeu
O que restava
Do fino fio da vida
De nós
O que temos tido
Viver o que temos vivido
Ser o que temos sido
Em algum lugar se perdeu
O que restava
Do fino fio da vida
De nós
domingo, 14 de abril de 2013
Cartografia I
na minha boca
nos meus braços
no meu corpo
no abraço silente do mundo extático em fogo, em calor
no seu prazer
nos seus olhos se fechando
nas suas mãos procurando o sustentáculo que não está ao alcance dos seus tentáculos, mulher do mar e transfigurada em impulsos de possuir e devorar
na sua procura insana quando a terra treme, o mar se levanta e você vem...
na cartografia insana que suas unhas desenham
nas minhas costas
na pele, mapa de um desejo incontido e cego e louco
nos mapas compostos em linhas vermelhas espalhados pelo mar
no sol que vem quando o furor da procela se esvai
nos seus mil caminhos
nos seus sensíveis traços
no seu sono
no seu regaço em paz
na cartografia de nós dois
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Clamor em sonho de Orfeu
Agora que sinto nossa chegada,
Eurídice,
Apertemos o passo, que à frente de ti
Meus caminhos são falsos
E não suporto quando teus pés abandonam
O estalar seco dos galhos pelo chão
E tua voz não ecoa nos fundos do Inferno de onde viemos
Não te afastes demais,
Eurídice,
Que nossa chegada é próxima
Que nossa partida é quase finda
Não te cales,
Eurídice,
Não desta vez
Que no peito deste bardo
Bate violento o peso
De que no sonho me vire
E a ti eu veja de sal, o gosto simples,
salgado da lágrima de te ver partir pra sempre
Quero-te luminosa comigo
Onde a Luz alcançará nós dois
E a lira desenhará os sons
Que minha história ainda não contou
Eurídice, para que cheguemos:
caminha junto a mim e, com tua presença, fala!
Eurídice,
Apertemos o passo, que à frente de ti
Meus caminhos são falsos
E não suporto quando teus pés abandonam
O estalar seco dos galhos pelo chão
E tua voz não ecoa nos fundos do Inferno de onde viemos
Não te afastes demais,
Eurídice,
Que nossa chegada é próxima
Que nossa partida é quase finda
Não te cales,
Eurídice,
Não desta vez
Que no peito deste bardo
Bate violento o peso
De que no sonho me vire
E a ti eu veja de sal, o gosto simples,
salgado da lágrima de te ver partir pra sempre
Quero-te luminosa comigo
Onde a Luz alcançará nós dois
E a lira desenhará os sons
Que minha história ainda não contou
Eurídice, para que cheguemos:
caminha junto a mim e, com tua presença, fala!
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Éramos distantes
Éramos distantes
E no silêncio seco da solidão que grita
Deitamo-nos
Chegaram à minha porta
Derrubaram a minha porta
Reviraram a minha casa
Derrubaram os teus retratos
Esmagaram as minhas flores
Rasgaram os meus livros
Calaram a minha boca
Escorreram o meu sangue
Levaram o meu corpo
Sumiram com a minha lembrança
E não ouviste nada
E no silêncio seco da solidão que grita
Deitamo-nos
Chegaram à minha porta
Derrubaram a minha porta
Reviraram a minha casa
Derrubaram os teus retratos
Esmagaram as minhas flores
Rasgaram os meus livros
Calaram a minha boca
Escorreram o meu sangue
Levaram o meu corpo
Sumiram com a minha lembrança
E não ouviste nada
terça-feira, 2 de abril de 2013
Expresso
Quase um rito
Ela me conhece, sabe o que desejo
Com a compreensão de duas galáxias que boiam em paz no universo
Suas mãos, alheias mãos, acionam a engrenagem do que acelera o tempo nos meus olhos despertos
É amargo, como se a compreensão e o andar acordado exigissem de mim isso também
Seu sorriso é solícito, mas não é meu
Suas mãos são hábeis, mas não são minhas
Sua vida, uma parte suspensa no claro-escuro das estrelas
E eu não a conheço
E ela não me sabe
E ela me proporciona a primeira fração de quase todo dia
Bebo então o café que ela me tira
Um rito
Todo dia
Ela me conhece, sabe o que desejo
Com a compreensão de duas galáxias que boiam em paz no universo
Suas mãos, alheias mãos, acionam a engrenagem do que acelera o tempo nos meus olhos despertos
É amargo, como se a compreensão e o andar acordado exigissem de mim isso também
Seu sorriso é solícito, mas não é meu
Suas mãos são hábeis, mas não são minhas
Sua vida, uma parte suspensa no claro-escuro das estrelas
E eu não a conheço
E ela não me sabe
E ela me proporciona a primeira fração de quase todo dia
Bebo então o café que ela me tira
Um rito
Todo dia
Assinar:
Postagens (Atom)